Trazendo a memória aquilo que pode me dar esperança!

Durante a semana que se foi, vivi um momento de nostalgia ao relembrar algumas leituras edificantes feitas no tempo de seminário; Uma delas foi o Icabode, livro escrito por Rubem Amorese, paulistano criado no Rio, formado em Comunicação Social e Literatura Francesa, professor na Faculdade Teológica Batista de Brasília, consultor Legislativo do Senado Federal e autor de várias outras obras.

 

Entre tantos outros temas tratados por Amorese nesse livro, está a modernidade, apresentada como um “inimigo” disfarçado de aliado. Logo no prefácio é revelado como tarefa, refletir sobre modernidade e seus desdobramentos, sobre fé e missão da Igreja, com o objetivo de preservar o propósito original da aliança de Deus com o povo, sendo Igreja. Vive-se um tempo de falência da instituição família, sem precedentes; de liberdade excessiva em áreas diversas; vivemos num mundo de escravos e escravizados. Para o autor a modernidade nos faz ser a sociedade dos paradoxos. O autor apresenta o texto de Deuteronômio 6.1-21, como referencial para o entendimento do conteúdo do livro, entitulando-o de “Canaã 2000”, esboçando os perigos que Moisés enxergava e fazendo uma aplicação aos dias de hoje, pois segundo Amorese, vivemos uma versão moderna da Canaã.

 

Amorese questiona quais os efeitos, os impactos da modernidade sobre a Igreja, criando um espaço crítico com ênfase na reflexão, visando buscar alternativas e soluções para superar as crises. No mundo moderno, a cultura do mercado não é integralmente compatível com a cultura da graça, onde se o indivíduo paga, não agradece, exige; enquanto que a cultura da graça nos ensina que , o que recebemos não merecíamos, produzindo no homem a consciência de que ele é devedor e capaz de se alegrar com a vitória do outro, isso é raro hoje. A crise de solenidade e reverência se instala através do processo de modernidade que tenta horizontalizar os valores, pela pluralização de ofertas. A autoridade é desnuda pela imprensa. Deus é visto de forma horizontal e a mente cristã já não existe, pois, “cada um cristifica sua vida do seu jeito”. Os evangélicos passam a ser imitadores culturais, esta traz, consigo a crise de caráter, que se instala devido à perda de valores considerados colunas, que comprometem a sobrevivência da Igreja.

 

Quando entendemos a realidade da “Igreja no Mundo” como transformadora daquilo que é necessário, para tornar seu projeto possível, passamos a conhecer duas forças geradoras de energia: o Espírito de Deus, que age soberanamente e a disposição do homem que se humilha diante Dele. Amorese descreve o processo da Aliança, a qual a modernidade conspira contra; algumas saídas apresentadas à Igreja, são: O debate, a reflexão coletiva, busca de compromissos e arrependimento.

 

A Aliança citada, a qual a Igreja é o executivo, necessita ser renovada continuamente, ou seja, faz-se necessário hoje, a reafirmação do corpo de cristo, para que a mente se desenvolva de acordo com os preceitos bíblicos. O maior efeito que a modernidade pode causar na Igreja é diluir, enfraquecer e inviabilizar a Aliança. Mas o irônico, segundo o autor, é que a Igreja possui a mesma arma, a capacidade de “fazer cabeças”, mentes cativas a Cristo; levando indivíduos a seguir o caminho estreito, difícil de trilhar, porém, que leva à vida.

 

Deus te Bendiga!

 

Pr. Rafael Hiran

Pastor Auxiliar da IBCN

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