O inesperado Deus

 

O inesperado Deus

As aparências enganam e frustam. É vergonhoso perceber que nossos olhos, que apenas vêem o óbvio, têm o poder de condicionar as nossas expectativas. O clássico exemplo do livro de capa pobre e conteúdo rico já nos seria suficiente. Entretanto, quero me ater a outro, que talvez seja familiar para alguns. É comum ouvir que o ano não começa no dia primeiro de Janeiro. Todos aguardam ansiosamente o Carnaval para, depois, iniciar finalmente suas atividades.

Felizmente, alguns aproveitam este período para praticar a clássica e necessária disciplina espiritual do retiro. Quando o propósito é, apesar de tudo, firme, o lugar, desde que seja afastado dos grandes centros, não importa muito. Entretanto, nem sempre é assim. Digo por experiência própria. Participei de um retiro no último Carnaval. A viagem foi longa e incômoda, o que por si só já tornaria desastrosa a primeira impressão sobre o lugar, que de fato não era nenhum resort. Porém, Deus frusta as aparências.

Como estou falando de lições vou dizer o que aprendi.

Aprendi que Deus não transforma em bela a feia realidade ao nosso redor. O que Deus muda são os nossos valores. O que é feio não é o que está ao nosso redor, mas sim o que está dentro de nós. Somos capazes de ver inúmeras coisas e situações ao mesmo tempo. No entanto, apenas algumas imagens e sons nos chamam realmente a atenção. Imagine fazer um passeio por um local recentemente demolido acompanhado de um skatista, um artista plástico e um arquiteto. O primeiro sonharia com as possíveis manobras que realizaria, o segundo voltaria para o seu ateliê cheio de “sucatas” que poderia transformar em ricas esculturas e o terceiro desenharia em instantes um condomíio de luxo. Somos capazes de andar pelas ruas do Rio de Janeiro em pleno início do ano, dentro de um ônibus lotado, com o termômetro marcando 40 graus e perceber que Deus ainda é senhor do tempo, o que preenche nosso coração de alegria e segurança. Da mesma forma podemos acordar em uma cama nada confortável, com o sol em cima do rosto e lembrarmos que só experimentamos mais uma manhã porque as misericódias de Deus se renovam. É o que está dentro de nos que faz a diferença.

Aprendi que não somos capazes de imaginar o que Deus vai fazer. As vezes perdemos, pelo uso comum e corrente, o valor de alguns valiosos e simples fragmentos da Palavra de Deus.

Decoramos que Deus faz infinitamente mais do que podemos imaginar, mas não conseguimos alcançar em nossas expectativas a profundidade deste texto. Vi, durante o retiro do qual participei, Deus agindo acima do impossível, pois o impossível pode ser produzido pela nossa imaginação. Nosso anseio era sim por Deus. Entretanto, nem de relance poderíamos imaginar o que o Pai realizaria na comunhão dos seus santos. Não éramos capazes de perceber que desde o início Deus estava interferindo para quebrantar corações e produzir frutos eternos. Eu mesmo seria criativo o bastante para pintar a cena de um lindo quebrantamento e de desenhar o roteiro ideal para uma celebração de intenso louvor e adoração. Mas, graças a Deus, eu nunca teria condições de criar a cena na qual os meus joelhos enfraquecidos se dobrariam e, prostrado, cairia diante da sua presença entendendo apenas que o seu poder é soberano e que ele, apesar do que dizem por aí ainda age.

Graças a Deus me retirei em um lindo lugar e pude presenciar a incrível imensidão do amor de Deus pelo seu povo através da cruz.


Daniel Bravo

bravoduarte@gmail.com

Portal Batista

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