Faxina Espiritual - A Terapia do Perdão

É chegado o fim do ano, época de comemorações, comida, luzes, festas, presentes e também faxina geral, pois queremos deixar para trás as “sujeiras” do ano velho, assim esvaziamos as gavetas, saímos às compras e procuramos caprichar na faxina da casa para reunir a família e receber os amigos, contudo, a Palavra de Deus nos convida a irmos além, ou melhor, a priorizarmos nosso interior, fazendo uma verdadeira “faxina espiritual”, somos convidados a nos examinarmos, a revermos nossos pensamentos e a nos inclinarmos à vontade do Pai.

 

Nosso objetivo é levá-los a desvencilharem-se de tudo quanto atropela sua vida e atrapalha sua comunhão com Deus e seu bem-estar emocional e espiritual, por isso, discorremos sobre a “Faxina espiritual - A terapia do perdão”, como forma de ajudá-los nesse processo tão necessário, contudo, às vezes distante de nossa realidade.

 

Encontramos em Filipenses 4-8 o ensinamento básico para fortalecer nosso pensamento: "Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo tudo, o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama,... seja isso o que ocupe o vosso pensamento". Creio que não era somente desejo de Paulo ver a igreja de Filipos desfrutando de um pensamento centrado em coisas boas e salutares e vivendo essa realidade, mas também é um desejo constante de Deus que o nosso pensamento seja habitado por idéias concernentes a sua vontade.

 

Fim de ano celebramos também o Natal, o Deus encarnado que "habitou entre nós, cheio de graça e de verdade".  Nesta época os judeus celebram o Chanuká, Festival das luzes; Chanuká é uma celebração da volta da pureza daquilo que foi santo e tinha sido profanado. É a celebração da vida recomeçando, para nós cristãos, Jesus representa a “Luz do mundo.” Estas coisas não só nos alcançam como também, nos enche de Esperança e graças a esse maravilhoso sentimento divino, mudamos a nossa forma de ver o mundo, ficamos cheios de coragem, damos a nós mesmos uma nova chance, acreditamos na possibilidade de reiniciarmos melhor, por mais difícil que seja simplesmente acreditamos em nós mesmos. Ah, mas se você não se vê assim, tão cheio de esperança e conseqüentemente desprovido de todos os seus frutos é preciso pensar na necessidade de perdoar a si mesmo, é tempo de perdoar-se!

 

O perdão é um ato de escolha, somos capazes de escolher perdoar o outro, a nós mesmos ou sofrermos as conseqüências das raízes de amargura, como nos ensina o livro de Hebreus 12.15 “nem haja alguma raiz de amargura que, brotando vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados". Não há outro caminho para uma vida cristã saudável, que não passe pelo perdão, porque todos nós pecamos e carecemos de Deus, assim o perdão se torna o primeiro passo para o amadurecimento e o esteio para uma comunhão com Deus. Quando lemos atentamente as palavras de Jesus sobre perdão, é possível enxergá-lo como ordenança divina, “perdoai!”. Diante dessa realidade é provável que nossa espiritualidade fique “emperrada”, por falta de perdão, e ainda nos tornamos “presas fáceis” para o acusador, que nos assola com nossas próprias falhas, se colocamos tudo em “pratos limpos”, ou seja, fazemos uso do perdão, ele não tem com o que e muito menos do que nos acusar diante de Deus. Optar pelo perdão é o mesmo que fazer uso da Palavra e é por ela que somos purificados, que ficamos limpos.

 

Em Efésios 5.1 somos convidados a sermos imitadores de Deus, como filhos amados e a vivermos inspirados no Amor de Cristo, que se entregou por nós. Esse texto nos conduz a refletirmos na importância dos referenciais para a nossa vida, como por exemplo, um pai na vida do filho, contudo, é possível que o filho aprenda a acertar na vida observando os erros de seu pai, pois este é humano e sujeito a falhas, enquanto    que na relação com Deus podemos chegar ao ponto de imitá-lo porque Ele é imaculado, perfeito, santo, "Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso" (AP. 4.8), portanto, é saudável que tenhamos excelentes referenciais para a nossa formação como pessoa, porém, é imprescindível que saibamos quem Deus é na nossa vida e quais seus atributos, a fim de que saibamos imitá-lo naturalmente, da mesma maneira que respiramos.

 

Outro texto interessante é o de II Coríntios 5.17, que diz: "Eis que se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo"; O texto nos conduz a estabelecer novas metas, porém antes, é preciso reconhecer “as coisas velhas”, entender as circunstâncias que a vida nos apresenta, perceber as necessidades, colocar-se diante de Deus em oração, como humanos efêmeros que somos mergulhados em crises, contudo, nunca entregues a elas, pelo simples fato de estarmos em Cristo, assim, a vida ganha sentido e cumpre-se a palavra do Apocalipse: “... eis que faço novas todas as coisas." Em Cristo sempre há a possibilidade de traçar novos horizontes, de recomeçar, resistindo as paixões do mundo, como está escrito em 1João 2.15, 16, “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar
o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo,
a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba
da vida, não procede do Pai, mas   procede do mundo.”

 

Li já há algum tempo “O monge e o executivo”, entre tantos ensinamentos tem um trecho que fala de uma pesquisa feita com cem pessoas de mais de noventa anos. Foi perguntado: “Se você tivesse que viver sua vida outra vez, o que faria de maneira diferente?” as principais respostas foram que elas se arriscariam, refletiriam e realizariam mais coisas que permanecessem na vida de outros depois que elas se fossem.

 

Estamos vivendo neste mundo e somos convidados por Deus através de sua Palavra a salgarmos e iluminarmos, ou seja, fazermos a diferença, não só a lugares, mas principalmente as pessoas que nos cercam. Estudando os chamados “profetas menores”, que na verdade foram grandes homens, é possível perceber que em Deus sempre teremos a chance de um novo começo, pois, as suas misericórdias sempre se renovam a cada dia e são elas a causa de não sermos consumidos.

 

Pr. Rafael Hiran Morett Ramos

 

 

* Texto publicado na revista de estudos bíblicos Compromisso da editora JUERP, lição 13.

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