"Mal acompanhado"

Você pode até discordar do texto a seguir, mas eu continuo cada vez mais convicto de que lendo os Evangelhos é possível encontrar Jesus completamente à vontade no meio da “plebe rude”, formada por uma massa social de necessitados e o mesmo Jesus extremamente incomodado com os religiosos de sua época, intolerante até, não fosse a sua misericórdia. O próprio Mateus, ao escrever sua narrativa, conta com clareza o momento em que foi chamado pelo Mestre, o mesmo que em seguida se assenta com publicanos e pecadores e implacavelmente é questionado pelos Fariseus de plantão por estar “mal acompanhado”, Jesus a estes prontamente responde, deixando explícito que seu foco era levar Vida a quem quisesse: “Não necessitam de médicos os sãos, mas sim, os doentes.” Em seguida o Mestre os convida a refletir sobre a diferença entre o exercício da Misericórdia e o ato de oferecer Sacrifícios, como quem faz separação entre buscar a Deus e ser religioso, pois alcança Misericórdia aquele que confessa seus pecados, reconhecendo sua limitação humana e o quanto sua natureza é contraditória, enquanto que o religioso se gaba por conhecer e cumprir todos os ritos de passagem descritos na Lei.

Lembro-me do Valdemar ter pregado pela primeira vez após seu ano sabático no meu concílio ao ministério pastoral, mais do que a sua presença, registro aqui suas palavras, “Um convite à vulnerabilidade”, através do texto: “Ai de vós, doutores da Lei e fariseus hipócritas, porque fechais aos homens o Reino do Céu! Nem entrais vós nem deixais entrar os que o querem fazer.”. Estas palavras fortaleceram ainda mais minha convicção em querer ser profeta, boca de Deus e não simplesmente religioso, Sacerdote. Este tem sido meu exercício diário e tem valido a pena, pois “Precioso é Jesus para mim”.

Entendo que nossa prioridade como Igreja não é simplesmente ser e ensinar aos outros, Religião, mas sim, promover o Reino de Deus, é ser “Céu na Terra”, como Comunidade do Senhor temos o privilégio de exercitar nossa comunhão recheada de Misericórdia, “suportando uns aos outros em Amor”, aprendendo a conviver com os que pensam diferente, levando o Evangelho aqueles que estão cansados de Igreja, nosso tempo é oportuno para tal proeza, Jesus já rasgou o véu, vamos nós atravessá-lo sem a pesada canga religiosa.

Abraço,

Rafael Hiran


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