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Livro de Rute
- 09/07/2010
- Categorizado em: Estudo Dominical - Jovens e Adultos

Um estranho vínculo de amor
Rute e Noêmi pederam tudo, menos o desejo de cuidarem uma da outra
Aonde quer que tu fores, irei eu; e onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus (...) faça-me assim o Senhor, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti (1:16-17).
Rute e Noêmi tinham tudo para nao serem amigas: uma geração as separava; uma era jovem e forte, a outra já estava no extremo da maturidade. Mais surpreendente ainda, uma era sogre da outra, e procedia de um contexto étnico e religioso. Quem poderia tê-las unido?
Tinham perdido todas as suas posses quando seus esposos morreram. Sem um homem para as proteger, suas vidas corriam risco nesses tempos difíceis. Ninguém as defenderia: tinham apenas uma à outra.
A mulher toma a iniciativa
O livro de Rute não é "duas mulheres contra o mundo". Mostra, antes, duas mulheres tomando a iniciativa de encontrarem, com a ajuda de Deus, um homem que as ampare.
A iniciativa de uma mulher raramente chega a ser tão direta como foi a de Rute. Seguindo as instruções de sua sogra, Rute instalou-se no lugar em que Boaz, um seu parente, acampara. Esperou até que escurecesse, arrastou-se até os pés dele e ali se acomodou. Quando Boaz despertou, não precisou dizer a ela que a queria por esposa. Ela, sim, queria que ele fosse o seu marido. Lisonjeado, ele não deixou para o dia seguinte os acordos legais para o casamento.
A sociedade, tal como Deus a estruturara, incentivava homens como Boaz a ajudarem os necessitados. Por exemplo, segundo a lei do Antigo Testamento, o agricultor tinha que deixar algo de seus grãos sem recolher, para que pessoas como Rute os pudessem apanhar. E também, segundo a lei, uma viúva sem ajuda deveria ser recebida no lar da família de seu esposo. Foi baseado nesta lei que Boaz reivindicou casar-se com Rute (4:1-12).
A presença invisível de Deus
Por detrás da eloquente história de Rute, percebe-se um ajudador invisível - Deus. Ele não intervém nos fatos, pelo menos em relação à narrativa específica. Mas nenhum dos personagens de Rute duvidava de que a vida estava sendo dirigida por Deus. Foi em nome do Senhor que Rute jurou, ao declarar o seu afeto por Noêmi (1:17), e é ao Senhor que Noêmi dá o crédito de levar Rute até o campo de Boaz (2:20). Foi a lei de Deus que uniu Boaz e Rute em matrimônio. Finalmente, o Senhor lhes deu um filho em quem a mãe, o pai e a "avó" tiveram grande satisfação.
Os últimos versículos de Rute mostram, além disso, que o plano de Deus se estendia para além dos problemas de Rute e Noêmi. Rute pertencia ao desprezado povo moabita - povo inimigo de Israel. Mas Deus, não apenas a aceitou entre o seu povo, como também utilizou-se dela para produzir o maior dos reis de Israel. O bisneto de Rute chamar-se-á Davi. Para os que pensavam que o amor de Deus era somente para os israelitas, a história da vida de Rute era uma notável resposta contra tal opinião.
O autor de Rute pressupõe que os leitores entendiam o fundo cultural e histórico dos tempos de Rute. talvez você deseje ler acerca dos mesmos, para obter um entendimento mais profundo. Deuteronômio 25:5-10 fala das leis que regulamentam o matrimônio de uma viúva com um membro da família de seu esposo, o "parente remidor". Levítico 25:23-28 dá importantes informações sobre a propriedade de uma pessoa pobre. A introdução a Juízes oferece uma perspectiva histórica, já que o livro de Juízes nos fornece um panorama da época brutal em que Rute viveu.

