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Livro de Juízes
- 09/07/2010
- Categorizado em: Estudo Dominical - Jovens e Adultos

Lutando pela liberdade
Os "juízes" foram às armas para defender a sua pátria
E quando o Senhor lhes levantava juízes, o Senhor era com o juiz e os livrava da mão dos seus inimigos, todos os dias daquele juiz (2:18).
Os juízes deste livro bem que poderiam ser chamados guerrilheiros, ou guerreiros pela liberdade. Estes homens (e uma mulher) ficaram conhecidos, não por suas decisões legais, mas por suas campanhas militares contra invasores estrangeiros. Como todos os dirigentes militares, às vezes também resolviam disputas pessoais; mas o livro de Juízes não se ocupa de assuntos legais, e sim da emoção de lutar pela liberdade.
Os juízes de Israel não se orientavam pelas "regras de combate". O juiz Eude soube levar o seu inimigo a uma conferência prticular, com as portas fechadas, sacou um punhal e o cravou no ventre do seu inimigo (3:12-30). O juiz Gideão obteve surpreendente vitória no meio da noite. Seu grupo de guerreiros confundiu de tal maneira a forças de ocupação com ruídos e luzes que os soldados inimigos se feriram uns aos outros e fugiram na escuridão (capítulo 7). Sansão jamais comandou um exército; seus truques de combate são comparados a estripulias e brincadeiras pesadas de um delinquente juvenil adulto (capítulos 14 a 16).
Durante a maior parte desse período, os israelitas se ocultavam nas colinas enquanto seus inimigos, com armas superiores, controlavam as planícies. (Os carros de combate, como os tanques de hoje, eram devastadores em campo aberto, porém quase inúteis em terreno pantanoso ou pedregoso). Superados em números, os israelitas se especializavam em emboscadas e ataques de surpresa. Conheciam cada vala e cada arbusto, já que estavam lutando por sua pátria. A estratégia compensava a falta de forças.
As mais sangrentas histórias da Bíblia
Como livro sobre os primeiros heróis militares hebreus, Juízes inspira e fascina. Mas não se pode pretender que todo o livro se ajuste a tal descrição. Se alguém o lesse procurando heróis, teria que ignorar a metade dos juízes – e nem perceberia o ponto mais importante acerca da obra de Deus com Israel.
Para começar, os “heróis” de Juízes tinham sérias falhas. Sansão era penosamente vulnerável à sua inclinação para com as mulheres. Gideão ganhou uma batalha, mas depois arrastou a nação para a idolatria. Jefté, que havia sido um marginal, aparentemente sabia muito pouco do Deus a quem supunha servir.
Acrescente-se a isso o seguinte material “não-heróico”: Abimeleque, filho de Gideão, matou setenta meio-irmãos seus, para se tornar rei. Jefté e Gideão massacraram compatriotas que não os apoiaram. Sem falar no triste caráter dos últimos cinco capítulos de Juízes. Estes contêm algumas das histórias mais desagradáveis da Bíblia – relatos de ataque homossexual, idolatria, guerra civil, roubo, estupro e assassinato. O livro de Juízes é uma viagem morro abaixo, de mal a pior. Certamente você perguntará por que todo esse material está na Bíblia.
Cada retrato tem as suas sombras; cada novela de suspense tem capítulos que são vedadeiramente negros. Na história entre Deus e seu povo, Juízes é esse tipo de capítulo. Os heróis aparecem esporadicamente, mas a humanidade continua sendo terrívelmente não-heroica.
O entusiasmo se desvanece
Deus queria para seu povo coisas melhores do que as referidas em Juízes. Ele resgatara Israel da escravidão do Egito. Dera-lhes uma terra generosa, ao lado de um grande sistema de culto e de governo centrados em sua pessoa. Ele não seria um Deus distante nos céus – Ele habitaria com eles.
Depois de um entusiasmo inicial, porém, os israelitas não seguiram o caminho que Deus lhes indicara. Ao contrário, aprenderam a viver com a gente sofisticada que encontram como vizinhos, gente cujos pecados incluíam a adoração de ídolos mediante orgias sexuais e sacrifícios de crianças.
Os israelitas controlavam montanhas, mas as tribos viam-se divididas pelos vales que cruzavam o país e que estavam em mãos estrangeiras. De imediato, cada grupo de israelitas começou a agir independentemente. A geração seguinte perdeu o sentido identidade. As pessoas adoravam o ídolo Baal, ao mesmo tempo em que adoravam ao Senhor. Mesmo sendo descendentes de 12 irmãos, passavam mais tempo lutando uns contra os outros do que contra os opressores estrangeiros. Violaram virtualmente todo o padrão moral. O último versículo de Juízes resume muito bem esse quadro: “porém cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos” (21:25).
O segredo da sobrevivência
As invasões estrangeiras não eram nenhum acidente. Diz Juízes: vinham da parte de Deus tão certamente como o faziam seus heróis libertadores. Desenvolveu-se uma certa sequência. Deus permitia o sofrimento como conseqüência da desobediência dos israelitas. Quando as coisas chegavam ao intolerável, sua atenção se voltava para Deus. Ele lhes respondia, enviando-lhes um juiz para os livrar. Mas eles logo voltavam a cair. Esta conduta se repetia de vez em quando. Os israelitas sempre se esqueciam de sua necessidade de Deus, e o ciclo monótono continuou se repetindo.
O segredo da sobrevivência de Israel não estava, portanto, nos heróis militares ou nas táticas de guerra. Estava no amor persistente e incansável de Deus. Eles se esqueciam de Deus, mas ainda assim Ele não se esquecia deles. Ele lhes deu repetidas oportunidades de começar de novo. De tempos em tempos, enviou-lhes juízes para libertá-los. Deus não os abandonava. Deus é o verdadeiro herói de Juízes.
Pendurado por um fio
Roubos, estupros, assassinados, idolatria: Israel se autodestruía
Naqueles dias não havia rei em Israel; cada qual fazia o que parecia direito aos seus olhos (17:6).
Há momentos em que pomos nos outros a culpa dos nossos problemas. Nas palavras imortais de uma personagem de quadrinhos: “Achamos, finalmente, o inimigo; e o inimigo somos nós mesmos.”
É assim com o final de Juízes. O foco da câmera bíblica se abre para uma tomada de perto, centrando-se na violência interna. Já não há inimigos à vista: o inimigo é Israel mesmo.
Os últimos cinco capítulos revelam um retrato horroroso. Sem ponto de vista moral, e cheios de violência, começam falando de um filho que rouba sua mãe e concluem com pais que aceitam que suas filha sejam raptadas. No meio disso tudo, deparamos com abusos em massa, de caráter homossexual e heterossexual, assassinatos, idolatria, roubo à mão armada e extermínio. Não há nenhum inimigo que faça isso: os israelitas o fazem uns contra os outros. É evidente que a orgulhosa nação de Israel, o povo escolhido de Deus, perdeu totalmente o sentido de direção.
Ao fim de Juízes, os israelitas estão reduzidos a uma luta entre si. Adotaram os costumes de seus inimigos: adoram ídolos. No plano sexual, portam-se com imoralidade. Os pais não são respeitados. Os israelitas se esquecem do modelo de vida que Deus lhes propusera. É difícil encontrar, ao fim de Juízes, alguma razão por que Deus deveria salvar Israel de seus inimigos. É difícil decidir se os israelitas são em alguma coisa melhores do que seus inimigos. A verdade é que Israel se transformou em seu próprio e pior inimigo.
Vislumbra-se apenas uma fagulha de esperança: os israelitas se escandalizam ante o estupro em massa praticado pelos benjamitas. Ainda conseguem se unir para castigar tais ultrajes e ainda consultam ao Senhor sobre isso. Mas estão muito distantes do povo cheio de esperança que Josué introduziu na terra prometida.

