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Livro de Deuteronômio
- 17/06/2010
- Categorizado em: Estudo Dominical - Jovens e Adultos

Um pedido pessoal
A última oportunidade de Moisés frente ao povo que amou
Então, dali, buscarás ao Senhor, teu Deus, e o acharás, quando o buscares de todo o teu coração e de toda a tua alma (4:29)
O livro de Deuteronômio contém muitos discursos de Moisés, motivando Israel e guiando-o para que entrasse na terra prometida. Quando à extensão e ao poder emotivo, estes discursos não tem paralelo na Bíblia. Moisés recordou, de forma apaixonada, situações vividas, repreendendo às vezes, mas principalmente demonstrando a angústia e o amor de um pai. Há nestes discursos um fundo de tristeza: Moisés sabia que não poderia compartilhar do triunfo de entrar em Canaã. Deus lhe revelara que morreria antes desse momento.
Em Êxodo, Moisés se destaca por ter "pavio curto" e sua renúncia em falar publicamente. Sua humildade e eloquência, tal como se manifestam em Deuteronômio, demonstram o quanto avançara em 40 anos.
No fundo de sual alma, Moisés sentia que toda a história do povo hebreu dependeria do que viria depois. Estacionados à beira do Rio Jordão, estavam prestes a entrar na terra prometida e enfrentar a prova crucial de suas vidas. Como reagiriam eles na nova terra? Manter-se-iam fiéis ao pacto que fizeram com Deus ou o abandonariam pelos prazeres imediatos que os circindavam?
Criados no deserto, os israelitas pouco sabiam da sedução de outras culturas: a sensualidade, as religiões exóticas, a riqueza deslumbrante. Viveram num isolamento quase total, protegidos da civilização. E agora marchavam para uma terra cheia de soluções.
Três discursos
O primeiro grande discurso de Deuteronômio, nos capítulos 1-3, relembra o modo como Deus tratou Israel. Moisés lhes recorda a história do povo tal como ele a vira com seus próprios olhos, mencionando detalhes tais como o sistema de irrigação do Egito, a saída abrupta, o temível deserto com as suas serpentes e escorpiões, e os assombrosos milagres de Deus. Sua narrativa é cheia de reflexões pessoais, como um pai dizendo aos filhos o de que devem se lembrar depois que ele partir.
O mais longo dos discurso, que vai do capítulo 4 ao 26, repassa o código moral e civil, ao qual os israelitas concordam em obedecer. Mesmo aí se verifica um tom pessoal. Moisés não detalha as leis como se tratasse de um texto de leis, mas considera-as, elabora-as, prega-as. Junto com as leis, ele inclui advertências, lições ilustradas e observações pessoais.
Nos capítulos 27 a 33 Moisés faz um resumo final e apresenta como o de um ancião que enfrentará a morte certa. Ele aborda, com toda a clareza ao seu alcance, a escolha com que os israelitas se defrontarão. Ele não mais estará com eles quando escolherem o seu futuro. Ficarão sujeitos à sua própria decisão; o destino está nas mãos deles.
No princípio do século XX, os arqueólogos começaram a desenterrar amostras de antiquíssimo pactos do Oriente Próximo. Esses pactos "de soberania" transcreviam em forma oficial a relação entre um rei poderoso e o povo por ele governado. Tais pactos projetam nova luz sobre o livro de Deuteronômio, que parece seguir bem de perto o modelo deste tipo de pacto. Tipicamente, um pacto com um rei poderoso continha os seguintes elementos:
1 - Um preâmbulo que identifica as partes incluídas no pacto, com um rei e um pequeno grupo que deseja sua proteção.
2 - Uma breve história descrevendo as relações prévias entre as duas partes.
3 - Regras que definem as obrigações de cada parte. O rei pode jurar defender algumas tribos com seus exércitos, em troca de lealdade, impostos e parte do que as tribos produzem.
4 - Testemunhas dos pactos, incluindo-se, em muitos casos, uma lista dos deuses locais.
5 - Maldições e bençãos que especificam o que sucederá se uma das partes quebrar o pacto.
O rei pode prometer prosperidade e paz se seus súditos se atêm aos termos do acordo, ou invasão, deportação ou morte, se os violam.
Leia Deuteronômio como amostra de um pacto entre um rei e seu povo. Pacto é a palavra para descrever o acordo formal entre Deus e os israelitas. Com um pouco de esforço, você poderá identificar as diversas partes de Deuteronômio que tem paralelo com os cinco elementos mencionados acima.
Os capítulos 1 a 11 e 26 a 34 contêm o melhor resumo dos discursos de Moisés aos israelitas. Ele não refreia nenhuma de suas emoções ao relatar a história de sua vida. Quase todas as nações que ele descreve repetem o que já vimos (Êxodo 12-20; 32-34; Números 11-17; 20-24), mas Deuteronômio nos apresenta um relato muito mais personalizado.
Diferente de outros livros da Antiguidade, a Bíblia concede um lugar preponderante a pessoas "insignificantes" - os pobres, os estrangeiros, as viúvas, os órfãos, os enfermos. Muitas das regras que se aplicam a eles repetem leis dos livros anteriores. Mas Deuteronômio nos permite ver as razões ocultas por que Deus tem uma preocupação tal para com os desvalidos, e por que devem tê-la também os israelitas. O livro tem ainda idéias muito interessantes acerca de como essa preocupação pode ser traduzida em planos concretos de ação política e econômica.
O Novo Testamento cita Deuteronômio mais vezes do que qualquer outro livro do Antigo Testamento. Vinte e um dos vente e sete livros do Novo Testamento fazem referência a Deuteronômio alguns estudiosos identificam 90 citações. O próprio Jesus citou este livro durante sua tentação (Mateus 4).
Mais saudáveis, prósperos e sábios
Aos bons só acontecem coisas boas?
E se tiverem aumentado as tuas vacas e as tuas ovelhas, e se acrescentar a prata e o ouro, e se multiplicar tudo quanto tens, se não eleve o teu coração e te esqueças do Senhor, teu Deus, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão (8:13-14).
Será que os cristãos sofrem acidentes? Ficam doentes de câncer? São despedidos de seus empregos? A resposta a estas três perguntas é, logicamente, afirmativa. Mas estas respostas às vezes causam grandes problemas a alguns novos crentes. Não promete a Bíblia que Deus cuidará de seus seguidores e os protegerá? Como, então, pode lhes acontecer coisas tão trágicas?
Quem faz essas peguntas, quase sempre se apóia no Antigo Testamento, onde Deus claramente promete êxito e proteção aos israelitas. Em Deuteronômio, Moisés especificou detalhadamente as promessas de Deus. As mulheres israelitas teriam muitos filhos. Todas as plantações - de grãos, uvas, azeitonas - produziriam em abundância. O gado e as ovelhas se multiplicariam. E Moisés até chegou a incluir uma promessa extraordinária: "E o Senhor de ti desviará toda enfermidade" (7:15).
Uma disposição especial
Para que os israelitas recebessem tais benefícios, Deus requeria só uma coisa: que eles vivessem segundo o combinado no pacto, mencionado pela primeira vez no livro de Êxodo. Deuteronômio repete grande parte do pacto e declara: "Não com nossos pais fez o Senhor este concerto, senão conosco, todos os que hoje aqui estamos vivos" (5:3).
Deus estabelecera uma relação única e peculiar com esse grupo de refugiados que estivera peregrinando na Península do Sinai durante 40 anos (10:15; 14:2). Moisés mesmo se admirava dos termos desse pacto: "Pergunta agora (...) desde uma extremidade do céu até à outra, se sucedeu jamais coisa tão grande como esta, ou se se ouviu coisa como esta?", diz ele. "Ou se Deus intentou ir tomar para si um povo do meio de outro povo (...) e com grandes espantos, conforme tudo quanto o Senhor, vosso Deus, vos fez no Egito, aos vossos olhos?" (4:32-24).
Moisés prometeu que as coisas boas aconteceriam aos israelitas se eles cumprissem sua parte no pacto, nada mais. Se, disse ele, destacando esta pequena porém crucial palavra. Fibras de dúvidas e ansiedade perpassem todo o livro. Aderiram os israelitas aos termos do pacto? Obedeceriam?
O perigo do sucesso
Moisés parecia temer mais a prosperidade futura que os rigores do deserto. Ele expressa tais temores no capítulo 8. Na terra prometida, um país exuberante, de muitos ribeiros, árvores frutíferas e ricos recursos, os israelitas poderiam se esquecer de Deus e começar a atribuir a si mesmos o mérito do próprio êxito. Esse era, pelo menos, o perigo e a razão por que Moisés continua insistindo: "Lembrem-se." Lembrem-se dos dias da escravidão no Egito e dos atos de Deus para libertá-los. Lembrem-se das dificuldades do deserto vasto e desolado e da fidelidade que Deus ali demonstrou. Lembrem-se da chamada especial para ser um tesouro peculiar de Deus. Não se esqueçam, quando forem uma nação próspera, do que aprenderam como refugiados no Sinai.
Deus predisse bruscamente: "Porque os meterei na terra que jurei a seus pais, que mana leite e mel; e comerão, e se fartarão, e se engordarão; então se tornarão a outros deuses, e os servirão, e me irritarão, e anularão o meu concerto" (31:20).
Tal como demonstram os livros que se seguem a Deuteronômio, tudo o que Deus e Moisés temiam tinham fundamento. O pacto foi quebrado de forma irreparável. Ao final, os israelitas não receberam riqueza nem felicidade, mas sim escravidão e sofrimento.
Uma mensagem para nós
As promessas de Deuteronômio foram feitas a um povo em particular, os israelitas, no contexto de uma aliança especial - um pacto que Deus profetizou que seria violado. A fórmula era simples: "Fazei o bem e sereis abençoados; fazei o mal e sereis castigados." Mas os cristãos modernos não podemos simplesmente voltar a essas promessas de riquezas e prosperidade e aplicá-las diretamente ao nosso caso. Pelo contrário, devemos examinar este livro à luz do novo pacto introduzido por Jesus Cristo e detalhado no Novo Testamento.
Quando Jesus veio, prometeu certas recompensas aos cristãos, mas também previu pobreza, rejeição e até mesmo perseguição. As recompensas nesta terra não podem se reduzir a um simples "Fazei o bem e sereis abençoados; fazei o mal e sereis castigados". (Veja Hebreus 11). Os discípulos de Jesus foram fiéis e ainda assim quase todos eles viveram na pobreza, foram perseguidos e morreram martirizados. Tiveram que esperar o céu para receberem a recompensa total.
Deuteronômio pode nos oferecer uma chave para entendermos por que Deus muitas vezes não livra seus seguidores do mal durante suas vidas. Ironicamente, a prosperidade e a saúde podem dificultar nossa dependência de Deus. Os temores de Moisés se tornaram realidade: os israelitas provaram ser menos fiéis a Deus, depois de experimentarem a prosperidade na terra prometida. No deserto, pelo menos foram obrigados a depender de Deus até para a sobrevivência diária. Mas depois de um breve período em Canaã, esqueceram-se dele. Há um grande perigo em conseguir finalmente o que se deseja.
Quem precisa de leis?
O que faz diferença neste código é o amor
Guarda e ouve todas estas palavras que te ordeno, para que bem te suceda a ti, e a teus filhos, depois de ti, para sempre, quando fizeres o que for bom e reto aos olhos do Senhor, teu Deus (12:28)
Deuteronômio repete, palavra por palavra, muitas das leis dadas em Êxodo, Levítico e Números. Contudo, está longe de ser simplesmente um código a mais. Este transmite um espírito diferente: o espírito do amor. Os estatutos de Deuteronômio se parecem mais com um guia sobre "Como criar uma boa família" do que com um que diga "Como consertar um automóvel". Para manter um automóvel, basta obedecer às normas. Mas para manter uma relação pessoal estreita, é preciso mais - é preciso amor.
Em que Deuteronômio é diferente
Deuteronômio focaliza a motivação: por que alguém deveria obedecer às leis. Os três livros precedentes apenas mencionam o amor de Deus por seu povo, mas Deuteronômio se refere ao mesmo só de vez em quando (veja 4:37; 7:7-8; 10:15; 23:5). O autor descreve Deus como pai de seus filhos, como "mãe" que lhes dá a vida, como águia que protege seus filhotes.
Por sua vez, Deus pede uma obediência baseada no amor e não apenas num sentido de dever. Neste livro, Moisés pede aos israelitas, não menos que 15 vezes, que amem a Deus e que se apeguem a ele. Deus não quer mera conformidade exterior, mas sim uma obediência que brote do coração . (Mais tarde, ao resumir o Antigo Testamento, Jesus citou de Deuteronômio o primeiro e maior mandamento: "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento" (Mateus 22:37; Deuteronômio 6:5).
Reformulando as declarações negativas
Deuteronômio também dá indícios acerca de por que as leis são, em primeiro lugar, necessárias. Moisés declara o princípio de forma direta: "E o Senhor nos ordenou que fizéssemos todos estes estatutos, para temer ao Senhor, nosso Deus, para o nosso perpétuo bem, para nos guardar em vida, como no dia de hoje" (6:24). Em outras palavras, as leis foram ditadas para o bem-estar dos próprios israelitas.
A maior parte dos Dez Mandamentos é expressa de forma negativa: um "Não", no imperativo negativo. Mas cada uma dessas declarações negativas protege uma relação privilegiada entre duas pessoas ou entre uma pessoa e Deus. Por exemplo, "Não matarás" poderia ser reformulado assim: "A vida humana é sagrada e tem enorme valor. Respeite essa vida como imagem de Deus, e defenda-a." Outros mandamentos protegem o casamento, a propriedade privada, a honestidade e o dia separado para o culto a Deus.
Não te esqueças
Moisés não poderia ter enfatizado as leis com mais vigor. "E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração" diz ele, "e as intimarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te" (6:6-7).
Moisés queria ter certeza de que fosse impossível os israelitas esquecerem as leis. Ele deu instruções aos sacerdotes para que reunissem toda a nação e lessem as leis em voz alta a cada sete anos (31:9-13). Exigia-se de todo rei de Israel que, como um dos seus primeiros atos de governo, fizesse uma cópia dessas leis (17:18-19).
Um último memorial visual servia para imprimir as leis na mente dos israelitas. Os sacerdotes deveriam escrevê-las com letras bem visíveis sobre pedras cobertas de cal. Quando as tribos entrassem em sua nova terra, por meio do Rio Jordão, teriam que passar por estas pedras, sobre as quais as leis estariam escritas (27:1-8).
Ninguém, em Israel, podia alegar ignorância acerca do que Deus requeria deles - suas leis estavam trabalhadas em pedra. Mas a história mostraria, depois, que obedecer é algo muito diferente.
No ar, um cheiro de perdição
Todos estavam jubilosos, menos um
Porquanto não haverás servido ao Senhor, teu Deus, com alegria e bondade de coração, pela abundância de tudo; assim servirás aos teus inimigos, que o Senhor enviará contra ti, com fome, e com sede, e com nudez, e com falta de tudo (28:47-48).
Os velhos costumes demoram a morrer. Esta é a lição que Deuteronômio nos ensina. A história de um prisioneiro é uma boa ilustração para isso. Este homem esteve 33 anos na prisão. Tinha 58 anos ao sair do cárcere, depois de três condenações por roubo. Seus cabelos estão brancos, e a maioria de seus amigos já morreu.
Durante certo tempo, este homem, quase um ancião, tenta levar uma vida dentro da lei. Mais tarde, porém, depois de ter visto um filme sobre um assalto a um trem, sentiu-se inclinado a regressar à vida do crime. E tornou-se o "cérebro" de seis consecutivos assaltos a trens, detendo-os, assaltando os passageiros e fugindo com o dinheiro.
Este preso, que cumprira três penas, havia tido três oportunidades diferentes de começar uma nova vida longe do crime. Mas fracassou em cada tentativa, voltando à sua vida fora da lei. Claro que ele não é o único reincidente. Talvez você conheça alguém que tenha jurado nunca mais voltar a mentir ou a trapacear, ou a beber ou adulterar, e depois tenha voltado à velha conduta pecaminosa.
Os últimos capítulos de Deuteronômio mostram os israelitas enfrentando uma situação parecida. Depois de terem sido libertados da escravidão do Egito pelo maravilhoso poder de Deus, era de esperar que confiariam nele. Mas falharam. Esse fracasso teve como resultado 40 anos de peregrinação pelo deserto. Essas quatro décadas foram algo assim como um período de encarceramento ou de liberdade condicional. Agora, finalmente, a liberdade, tão longamente esperada, chegara. Podiam entrar na terra prometida.
Moisés utilizou todos os recursos
Continua...
Durante 40 anos, Moisés havia liderado um grupo de tribos muito ariscas. Ele escutara suas queixas e murmurações, aguentara seus falatórios e sobrevivera a suas insurreições. E agora tinha uma última oportunidade de advertí-los a que não voltassem a seus velhos costumes.
É impossível ler os últimos capítulos de Deuteronômio sem detectar um sentido de profunda desesperança nas palavras de Moisés. Era pouco provável que os israelitas se adaptassem a uma vida de serena obediência. Tinham falhado tantas vezes; estavam condenados a fracassar de novo.
Moisés lançou mão de todos os recursos possíveis. Preparou uma lição objetiva e dramática, que ficaria para sempre na mente deles. Na verdade, essa lição só foi dada depois da morte de Moisés, tal como figura em Josué 8:30-35. Os representantes de todas as tribos subiram a dois montes, entre os quais havia um estreito vale. Esses oradores invocariam maldições e bençãos sobre os israelitas (veja 11:26-32; 27:28). Entrariam em sua nova terra com as palavras impactantes de maravilhosas bençãos e horrorosas maldições ecoando em seus ouvidos.
Terrores futuros
Moisés resumiu severamente o futuro da raça israelita. Teriam, disse ele, "coração tremente e desfalecimento dos olhos, e desmaio da alma. E a tua vida como suspensa estará diante de ti; e estremecerás de noite e de dia e não crerás na própria vida. Pela manhã dirás: Ah! Quam me dera ver a noite! E, à tarde, dirás: Ah! Quem me dera ver a manhã! Isso pelo pasmo de teu coração, com que pasmarás, e pelo que verás com os teus olhos" (28:65-67). Em termos de horror suas descrições do futuro não tem compração.
Na hipótese de os israelitas não assimilarem a idéia. Moisés lhes ensinou um cântico que Deus lhe dera (capítulo 32). Esse cântico virou uma espécie de hino nacional, aprendido de cor por todos e cantado enquanto marchavam para Canaã. Mas esse cântico não se parecia com nenhum outro hino nacional. Faltavam-lhe virtualmente palavras de alento e esperança, contendo apenas palavras sobre a ruína futura.
Moisés sabia que nem mesmo a terra prometida mudaria esses hábitos de desobediência tão profundamente enraizados no povo. Falhariam na terra prometida como haviam falhado no deserto. Moisés encerrou seu discurso de despedida do povo com estas palavras: "Porque esta palavra não vos é vã; antes é a vossa vida" (32:47). No fim desse dia, subiu a uma montanha em que morreria. Deus lhe proibira a entrada na terra de Canaã por causa de sua própria desobediência.
Esta última cena pode ter causado a impressão mais profunda. Ninguém podia se rebelar contra Deus impunemente - nem mesmo Moisés, que conhecera a Deus "cara a cara" (34:10).

