Pesquisa Rápida
Como a Família pode Desenvolver a Comunhão com Deus
- 17/09/2009
- Categorizado em: Artigos
Westh Ney Rodrigues Luz
“Quando eu ouvia aquele barulhinho na porta do meu quarto, pensava:
- Lá vem ela! E nem adiantava dizer que não queria. Ela vinha com oração, bênção, conselhos ou texto bíblico. Fechava meus olhos, fingindo que dormia, mas ela não desistia; orava assim mesmo nos meus ouvidos, com a mão na minha cabeça”.
Ouvi este relato do meu filho caçula, o Felipe quando ele tinha 25 anos e já casado. Tive que rir, pois era assim mesmo. Contei isto para o mais velho, o João, ele riu e disse: - “Eu gostava muito. Era bom.”.
A Bíblia diz em Salmos 127.3, que nossos filhos são herança da parte do Senhor. Sim. Meus filhos não são propriedades minha. Recebi de Deus esta grande bênção e esta festa ou alegria, que é ter um filho, traz também algo importante junto que é responsabilidade. Pela proteção, pelo ensino, alimento, vestimenta, educação... UFA!!
E como mãe cristã - pais ou qualquer outro familiar responsável pelas crianças - precisamos ajudá-las a terem o encontro mais importante da vida - o encontro com Cristo.
A vida familiar pode propiciar isto ou não. O que às vezes acontece é que nossas atitudes em família diferem do comportamento em público. Alguns líderes são eficientíssimos na igreja, escola, na frente do coro, no escritório, na sua vida em sociedade. Possuem um bom discurso, mas são ausentes no Lar. Os filhos, esses desconhecidos, são relegados a um plano menor e a prática não acompanha a teoria. Alguns sabem discorrer sobre grandes temas teológicos, mas não conseguem trazer isto para uma pergunta bem simples e infantil sobre Deus e a existência humana. Aliás, alguns sequer ouvem a pergunta...
Não espere a vida melhorar para você encontrar mais tempo para cuidar do desenvolvimento da vida com Deus na sua família. Isto poderá nunca acontecer. Você pode perder este trem, ou bonde como diriam os mais antigos. Pode também demorar muito e num piscar de olhos... as crianças cresceram!
Não delegue para outros a oportunidade única, especial e nem sempre fácil de ensinar seus filhos a dependerem totalmente de Deus. Precisamos prepará-los para a vida. Alguns pensam que vida é só escola, aulas de inglês, espanhol ou esperanto, natação, ginástica moderna, rítmica, trapézio, aulas de violino, piano, judô, crochê, arte culinária... Tive um aluno que com cinco anos estudava chinês, sem nada que o identificasse com um oriental e o pai me disse que estava preparando seu filho para ser um vencedor. Presenciei isto, esta grande tragédia familiar, ao longo da minha vida como professora em escolas de pequeno e grande porte, e em classes sociais diversas.
Conheci crianças em completo abandono espiritual. Alguns pensam que se eles estão socados na igreja o tempo todo, a sua parte, o seu compromisso nesta área já está de bom tamanho. Grande engano. Não tem como terceirizar o crescimento espiritual de nossos filhos. O que você faz, diz, ensina, compartilha em casa é que vai ser forte e decisivo para ajudar seu filho a ter comunhão com Deus. Esta fé vivida e experimentada é que dará suporte aos nossos filhos para encarar os desafios, decepções ou tragédias da vida. Não se iluda. Elas virão. Será que seus filhos, e seu Lar estão preparados para o dia difícil, onde parece que todos os dardos, ou lanças flamejantes estiverem sobre vocês?
Certo é, que nunca estaremos totalmente preparados, mas a nossa Fé em Deus, precisa ser real, autêntica, significativa e forte, pois irá nos valer nos momentos cruciais e decisivos.
Minha irmã caçula, a Débora, foi convocada, por Deus junto com sua família - marido e dois filhos adolescentes, na tragédia que aconteceu em Angra dos Reis, no ano de 2002 – e de uma forma trágica, soterrados. Eles amavam a Deus de uma maneira especial e Cristo reinava livremente nas suas vidas. Todos eram integrados e participantes no Reino do Senhor. Não mediam esforços investindo seu tempo e bens financeiros no Reino de Deus. A casa deles estava sempre cheia com muitos amigos após os cultos ou qualquer ocasião. O lar deles era um lugar de festa, amor, alegria e abrigo. A família ultimamente estava com uma maratona linda de leitura de livros cristãos e compartilhavam com alegria suas descobertas sobre a Palavra de Deus. Quinze dias antes tinham me ligado e todos falaram quase que juntos, vibrando com descobertas na vida cristã. Minha sobrinha – 13 anos - compartilhava o livro sobre vida cristã que estava lendo, com uma alegria impressionante. Ainda hoje, é difícil entender tudo o que aconteceu e por isto me apego na Palavra, onde e só ali poderei encontrar consolação. "Bem-aventurados os mortos, que desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras o acompanham." (Ap 14.13) Onde aprendi isto? Em casa e depois na organização infantil e feminina da denominação Batista – Mensageiras do Rei.
Quando crianças – quatro meninas - para nosso desespero, às vezes, mamãe chamava – na melhor hora das brincadeiras - para o culto doméstico. Minha mãe lia a meditação da Revista Manancial, cantávamos um ou dois hinos e orávamos. A oração da minha mãe era muito, muito grande. Ficávamos cansados e às vezes uma de nós orava para acabar logo. Fomos crescendo e mudando algumas coisas. Em outra época, usávamos a caixinha de promessas. Era engraçado, pois as mais velhas tiravam alguns versículos da caixa e liam para os menores. Nem sempre líamos o correto (risos). Trocávamos os versículos só para implicar. Aquele momento era hilariante e o mais usado era Provérbios 6.6 – “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e sê sábio”. Guardo grandes recordações delas rindo e resmungando. Todas nós e nossos filhos pertencem a Cristo.
O hino mais cantado era 162CC (386HCC), Vigiar e orar, de autor desconhecido. O Pr. Alfredo Henrique da Silva, português é o tradutor e a música, do hinário francês - Salmos e cânticos - que gostávamos muito é da Sophia Zuberbühler. Nunca saiu da minha mente e da minha memória afetivo-emocional a mensagem de tão grande significação e ensinamento. Minha mãe, Elcy Rodrigues, foi muito feliz em escolher este hino como o oficial da nossa família. (meu pai não era crente e nunca participou destes momentos),
1. Bem de manhã, embora o céu serenopareça um dia calmo anunciar,
vigia e ora: o coração pequenoum temporal pode enfrentar!Bem de manhã, e sem cessar,/ vigiar, sim, e orar!
2. Ao meio dia, quando sons e bradosabafam mais de Deus a voz de amor,ao Salvador entrega os teus cuidadose vive em paz com o Senhor!
3. Do dia ao fim, após os teus lidares,relembra as bênçãos do celeste amore conta a Deus prazeres e pesares,deixando em suas mãos a dor!
4. E, sem cessar, vigia a cada instante,que o inimigo ataca sem parar!Só com Jesus, em comunhão constantetu podes sempre triunfar.
Vejam, mesmo que mais nada fosse dito, só este hino por si mesmo diz tudo. Durante alguns momentos do dia, na hora do sufoco, sempre foi impossível não pensar em algumas das estrofes. Já embalei meus filhos com este hino e recentemente ao ninar meu neto Gustavo, recém-nascido, também me peguei cantando o velho hino do culto doméstico da minha infância.
Um dia, na hora do almoço - sempre orávamos antes da refeição - era a vez do João Marcos, o meu filho mais velho. Do alto dos seus cinco anos, ele orou e ao final pediu a Deus perdão pela sua multidão de pecados... Chorei de tristeza ao ver meu filho tão pequeno, com um semblante quase angelical falando assim. Fiquei indignada e perguntei onde ele tinha aprendido aquilo. A empregada doméstica que morava conosco disse que deveria ter sido na igreja. Ela afirmou que não orava assim. Nem eu, nem seu pai também assim fazíamos. Fiquei pensando e questionando: o que será que estão ensinando aos meus filhos na igreja? Eu tinha mil idéias, conceitos e práticas alternativas para cuidar dos meus filhos e agora alguém despreparado ensina, na classe da EBD que ele tem multidão de pecados? Não, não queria que meus filhos crescessem cheios de culpas e orando para um Deus punidor e repressor.
Estou contando isto, para que possamos estar atentos a tudo que possa formar ou deformar a vida dos nossos filhos. Graças a Deus a vida cristã do meu filho João é normal. Foi assim que ele me respondeu quando com dezesseis anos, perguntei-lhe por telefone: E aí meu filho, tudo bem? E a fé? Normal mãe, disse ele. E assim tem sido. Hoje tem 30 anos e sua fé em Deus é firme, constante. Não é de altos e baixos. Natural é ir à igreja ou a reuniões tipo Células, tocar violino nos cultos, ofertar e dizimar com alegria e disposição. Ajuda os que trabalham com ele, facilitando suas vidas economicamente falando. Agora, quando estive em sua casa, eu vi e ele fez questão de me dizer que o casal estava estudando a Bíblia e lendo um livro cristão junto com sua jovem esposa. Vão cedo para o quarto e ali lêem e se divertem com seus livros prediletos, dão gargalhadas compartilhando trechos engraçados. Estão se preparando para quando Deus trouxer filhos para eles cuidarem.
Ah, o Felipe, aquele do início do artigo, em uma ocasião quando cheguei para dar o beijo e a bênção ele me surpreendeu recitando João 1, inteirinho, de cor. Surpresa, ele me disse: Mãe, está pensando que só você conhece e estuda a Bíblia? Foi lindo. Ele tinha nove anos. Hoje, com 29 anos, tem dois filhos e é líder atuante na igreja gostando de pregar, de ensinar.
Bem, já escrevi muito, mas o que vai valer na realidade é a sua comunhão com Deus, que vai servir de exemplo para seus filhos e sua família. Bem, criatividade ajudará muito.
Queridos, Deus pode capacitar cada um de nós e completar as nossas falhas.
Westh Ney Rodrigues Luz - profª no Seminário do Sul de História da música, Gestão da música na Igreja e Culto Cristão. É membro da Igreja Batista Itacuruçá, Tijuca, Rio/RJ

