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Colunas e Marcos
- 02/08/2010
- Categorizado em: Editorial

Perdido na noite escura. Solitário. O vento não sopra. Os pássaros acordaram. Lua e estrelas recolhidas. Sequer havia pegadas frescas para lembrar que aquele lugar era passagem. Vegetação murcha sem querer interagir. Bastava dormir. Com o sol, sairia logo daquele lugar chamado Luz, mas na realidade tão sombrio. O sono não vem. O travesseiro é de pedra. Sono duro.
Deus estava naquele lugar. Deus como companhia. A voz que se ouvia era a voz de Deus. Jacó acordou. O travesseiro duro foi transformado em um altar. Isto é, Jacó chegou ali perdido, sem direção, sem referência, sem rumo. Mas naquela noite terrível e maravilhosa, descobriu em Deus o seu marco de partida. O rumo foi encontrado. Jacó caminharia longa distância sem se desviar do seu norte.
A coluna de pedra que foi erguida representava a certeza de que um dia faria o caminho de volta. Saiu da casa do pai desacreditado. Fugia para não morrer. Sem terra, sem gado, sem esposa, sem filhos, sem casa, sem amigos, sem respeito, sem paz e sem travesseiro. Com a coluna de pedra erguida, Jacó tornava visível a certeza que agora estava em seu interior: Quando eu fizer o caminho de volta e passar por aqui, estarei diferente. Vou voltar, sei que vou voltar para o meu lugar. Passarei por esta coluna de pedra. Chegarei na casa do meu pai acompanhado de servos, servas e rebanhos. Poderei olhar de frente o meu irmão que me jurou de morte, abraçá-lo e beijá-lo.
A certeza que habitava em Jacó foi adquirida na sua experiência com Deus. Ele creu quando o Senhor o assegurou que o acompanharia no caminho de ida e não o abandonaria no caminho de volta. A coluna de pedra era o testemunho visível de que Jacó cria que Deus lhe faria bem por onde quer que fosse. Deus como referência. Deus como companheiro de caminhadas longas.
Pr. Valdemar Figueredo.

